quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Como nascem os poemas? E os elefantes?

Imagem@ Duy Huynh
"Far from home, elephant gun
Let's take them down one by one
We'll lay it down, it's not been found, it's not around"

 (para Alice)

Os poemas nascem dos olhos
e voam no malabarismo de um beija-flor verde.
Nascem da maçã,
do cheiro de café com chocolate que invadiu a casa...
Nascem até das coisas minúsculas, de um botão solitário
ou se um aroma memorial traz família,
sossego, formigamento.

Os poemas nascem dos olhos dos filhos
e do desejo de amar para sempre
aquela mesma intensa pessoa
que me olhou um sereno.

Sim, direi que os poemas nascem do desespero,
nascem das noites de morte e ventania no coração,
do absurdo e do medo, da dor, da doença,
da vastidão e do incenso,
do pavio e do aceso.

Há também poemas conta-gotas,
que nascem na escuta de uma bela canção
como essa de Beirut
que fala sobre a morte dos elefantes
e de um tipo de armamento que derruba grandes espécies.

E o poema nasceu da natureza de Alice
que me deu Beirut de presente.
Realidade se gasta, utopia não, se espelha,
e quer se pôr sem fim trágico 
assim como as grandes espécies.


Patrícia Porto


Imagem@ Duy Huynh