sábado, 22 de setembro de 2012

Livre?


O espantalho

a solidão
feito velho catavento
catando a precisão do acerto,
mordendo os anos da espera pelo capim. Vivo?
Despedindo-se também lentamente
como quisesse guardar os últimos sons:
batidas do coração: num outro;
olhares de espelho...

Entrou na rua profunda. Espanto?
  Notou no núcleo interno a imensidão do guindaste. Morto?
A nudez os aguardava, a ele e a todos - do outro lado -
o outro lado que é o mesmo lado moendo.
Passarinhos nos ombros.
Atirou-se do perfeito ao infinito: Livre?


Patrícia Porto

Christian Boltanski, "Personnes".
Installation view at 'Monumenta 2010.