terça-feira, 28 de agosto de 2012

na Flor sagrada.




Os meus pés se confortam com os úmidos da floresta...
Não meço com métricas minhas verdades meias,
nem mesmo de minhas mentiras tiro metades medidas.
Prefiro alcançar pelo abismo o amor: o único,
vestido de natureza indistinta, pasmado de aconchegos.
Atravesso pontes sobre os rios e não dou conta ou destino dos desvios,
meus pés se acalantam nas sombras, nas folhas desarrumadas da família,
fazendo desalinho e poema.
São duas flores brotadas na terra, aquecidas no barulho do tempo,
levando, distraídas, o fruto mesquinho ao chão.
Vão ao encontro do mundo, da morte, da força que nasce serpente.
Assim atravessam o pântano, a crise, o medo do sozinho:
renascida das flores, entre o beijo da manhã e o encurtamento das horas,
não ouso andar ou nadar contra o passado, e me abasteço de cuidados outros.
Na frente da casa, porta aberta, figos na tigela alva, noite morna chega e vai:
outro dia, outra chance, outra vida, outra fresta. Viver.

Patrícia Porto