quarta-feira, 25 de julho de 2012

Depura a seda.

Museu da Língua Portuguesa.

Ser escriba é vestir vertigens
Feito virgens velhas
Feito vidas de
pronta e entrega
Com seus casaquinhos de lã.

Ser escriba é ser o santo e a puta
Dizem: “ah, mal não faz comê-la!”
          E me engulo na escrita: sou seu prato feito.
É tarde, eu sei, mas
E se a garoa cai
Nada mal então recebê-la.

Ser da escrita é
vestir viagens
E ao final do dia descobrir-se a intacta
por ter tido a chance de merecê-la.

Aquecer seus pesinhos...
A escrita a antigar, a secular o que nos
habita com seus tantos sinais
Com seus casaquinhos de lã: um nov elho.

Ser da escrita um poema.
          Como palavras em grossas camadas. Como sempre.

          Patrícia Porto