segunda-feira, 14 de maio de 2012

do outro lado.


Imagem:Gérard Castello Lopes  

de repente uma alegria,
uma desconhecida paz
e nenhum placebo de coragem.
uma dádiva lúcida de olhar o mundo
se for pela última vez!
quando se pode respirar bem fundo
até se sentir divinamente vivo, finito,
esplêndido, loucamente sendo  
por si mesmo, o mergulho profundo
para os pontos pacíficos da própria história.
do mar ao mar que não ressaca, só pausa,
em silêncio sem corações petrificados...
Livre de tudo que aprisiona o devir.
transgredir, trans passar, 
como poema, gente, um olhar à deriva, 
vivendo de palavras pelos ares.

Patrícia Porto