segunda-feira, 30 de abril de 2012

Tambores, Danças e Narrativas.

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                       No meu livro-tese "Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte Docente na Escolarização da Literatura" , "no capitulo dois, busquei tratar da Memória Plural e da Cultura Popular, e como metáfora da memória social e coletiva, escolhi dentro de um recorte necessário, dar ênfase, pelas minhas próprias aproximações memorialísticas, à dança e ao ritual de uma manifestação cultural maranhense que é o Tambor de Crioula nas suas distintas expressões. Assim foi possível dialogar com Mário de Andrade e o acervo da Missão de Pesquisas Folclóricas criada por ele enquanto diretor da secretaria de cultura de São Paulo. Tratando-se de um capítulo empírico, para a elaboração da pesquisa, além da preocupação documental através de diferentes registros como: fotografias, documentos e relatos, sem dúvida, nela prevaleceu a pesquisa sensorial provinda da experiência vivida e encarnada pela pesquisadora: sentir a cidade e as ruas, viver como recorte e corte o ritual do Tambor de Crioula com os sentidos expandidos, sentir a linguagem oculta do corpo, dançar sobre os séculos e as pedras colocadas por mãos negras e escravas, viver o ritual como conceito, como embrião fecundado que gradativamente cresce alimentado por forças coletivas até chegar à maturação, à clareza, à total visibilidade do que é, até atingir a forma plena num processo lento e laborioso de gestação. Ser o cavalo, a linguagem da dança que faz o corpo ser a própria expansão. E como fruto dessa expansão, nascido da "concepção" do ritual, contemplar e celebrar a complexidade da existência humana no singular e plural."
Por Patricia de Cassia Pereira Porto