segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Barquinhos de papel.

Imagem: Sarolta Bán


Qual o tamanho da tua liberdade? De quanto aço foi feita a tua espada?
Para onde foi o pôr-do-sol que estava aqui?
Porque dentro há abraços,
porque dentro há refrigérios;
as dimensões te asseguram de cura.
Qual o tamanho do teu perdão? De quantas extinções é feita uma existência?
Dentro do teu afago, os braços de uma deusa,
os quatro cantos da casa vazia, os pais abonando deslizes,
os pais abandonando suas crias   
como gatos amarelos a comer filhotes.
De quanta proteção se pretende uma capa?
Com quanta hipocrisia se constrói uma história?
E a noite do absurdo, da urina de criança,
com quantas trancas se faz o Império de um Barba Azul?
Para Dentro, o espaço elástico da alma equilibrista,
o supremo destino dos animais sacrificados.
"Não é o mais forte que sobrevive."
A dor de umbigo, umbilical - da partida.
No mar, barquinhos de papel...  
De quantas nuvens se faz um desenho?
De quantos dedos um adeus?
De quanta chuva a reserva?
De quantas cores um desenho?
De quantos azuis e vermelhos, a outra?
De quantas mãos, quantos grãos, nãos, sins, de quantos
desertos se faz com areia um castelo?

Patricia Porto