sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Todos.

mar de recifes,
destino seco.

e aquela linguagem de louças e letras,
protegida pelas mãos da babá francesa,
toma seu banho abissal
de boas paragens...

poesia, arte do povo.

o povo, vestido de fábula,
vestido de dom sebastião,
vestido de corpo nu
não sabe da poesia
o indelével dos que preenchem prateleiras
mascando chicletes de menta em seus gabinetes,
vestidos de farda,
vestidos de ouro,
de cetim do oficio.

o poeta do povo mal sabe,
mascando famintos de duras paisagens.
empalita os dentes, escreve durezas e doidices 
de rapadura pagã 
e come e soberba a carne do mundo
até o gargalo.

o gargalo é o sem corpo.

e o poeta do povo é um habitante só
que migra.


Patrícia Porto