sexta-feira, 28 de outubro de 2011

terra partida


Amo-te
mesmo quando há mor te
do tempo em nós
e o frágil mundo da poesia
ao amor se oferece idealizado.
Imagem: Antonio Brasiliano, Território Poético.

Amo-te onde o sereno é o mar,
mar de revoltas e revoltos ventos,
feito voltas que dou em volta do meu medo
em silêncio e espanto.
Feito um cão mendigando achar-se.
Amo-te nos desafios da certeza
- a que faltou existir, a quimera.
Sou incompleto, incoerente, inseguro...
Estou sempre no mergulho do que é transe,
buscando nos vazios de teus vagos
amar-te a negação, desterrado, 
no desterro da nau que sem pátria
ateia-se fogo e se exila.
Minha terra em partida,
minhas faces perdidas.

 Patricia Porto