quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Tão simples.


Renda de Bilro, Imagem de Margareth.



Hoje fiz poesia,

poesia de versos quebrados,

quebranto no peito,

alegria bruta no mundo,

um mundo sentido a seco.

E o tudo fez tão pouco de mim.

Sou tão pouco de mim no absurdo desterro

que de meu torto verso

Poesia fez troça, traça e trançado,

trapaças em tranças,

trocou o meu nome,

sujou minha quadra de renda,

rasgou meu pedido no pano

- Vazio, cheio, cheio, vazio...

Pouco senso.

Muito tento.

Nada tenho.

Sou poeta decerto de palavras curtidas,

gasturas no fundo da louça,

de uma obscura delicadeza como

as simples palavras que te digo agora:

pai, mãe, filho, chuva, sol, vida...

Feito a criada das horas,

uma criança faminta

como e oferto do fácil, do digerível – com as mãos:

O Doce de avó, o doce da língua.

Vou cortando por dentro sempre antecipada o pão de todo dia.

Espalhando promessas em vasos partidos, multiplicados.

Engolindo serenos e luas,

consumida de sonhos

vou vagando no tempo,

Temporando um verso aqui,

outro ali...

A janela aberta abençoa de horizontes

a terra e o tecido

por onde sempre borboleta a poesia.



Patricia Porto