sábado, 11 de setembro de 2010

Um SOLO e um Naufrágio




Imagem: Jan Saudek, Hungry for your touch, 1971


camadas são para se retirar
de nossos corpos frágeis.
e para enterrar os nossos aspectos
mais sombrios –  ah, um solo de ...
para os girassóis que murcham com nossas
esperanças ou idiossincrasias.

Um solo para esconder esses ossos
que feito cachorros velhos tontos,
correndo do próprio rabo
tentamos ocultar em terra firme
- o amor pinçado,

só eu e você...
nesse solo para o nosso sol puindo...
caindo...

E o big bang.

o bang bang.

o big end.

Solo para esses dedos de separação.

e par o rastro de papel
atrás da vida
atrás do vasto querer mais
a outra história:
aquela de desarmar bombas.

falta do que esperar?
coma a utopia.
coma que é macia...

um solo!
um naufrágio!

Não, não nos queremos salvos.
Por favor, desliguem os celulares,
desa frouxem os cintos.
Desintegrem nossos ódios,
esse vulcão adormecido de covardias

e abram, enfim, essas cortinas!

Patrícia Porto

domingo, 5 de setembro de 2010

Nossa aliança foi com o mensageiro.

 
Imagem: Henri Cartier-Bresson



Toda vista pôde revelar e ser alcançada.
Eu também vi a vista, minhas crianças!
Eu vi os navios seguindo seus destinos
e sombrios eu os vi levarem acordos de presságios!
Transcendências de nossas casas já não conseguimos vislumbrar.
Levaram-nos da alma o precioso, o benigno.
E o sorriso que te deixei ao mar me retornou em sal.
Nossas camas agora são feitas de sal,
nossas mesas são talhadas a sal,
nossos dias são vestes de sal,
nossa espera,
nosso tempo,
nosso mistério,
nossa saliva, o sal...
E os navios partem ao longe.
E nossas almas dentro deles, só sal vão.
E eu não pude mais vê-lo,
não pude tocá-lo o semblante,
minhas veias endurecidas,
petrificadas,
minhas crianças sedentas
tiveram os lábios rachados.
Agora a agonia apartada de todo mar,
abraça-me feito anjo em espumas
e nossos corpos,
nossas lembranças curtidas
fazem a dor dentro de mim afogar-se.
Ao vento corre agora a despedida,
despida de nós, vai te pedindo, te suplicando:
“A promessa foi de aventura, nada há que te acorrente ao cais.
Leva fios de teus cabelos finos o envelope da mensagem.
Deixa o amor, deixa que eu fico aqui na escotilha desta casa a espreitar,
todo o Espanto, fincada nesse sal de abismo,
nesse silêncio azul que me despela em saudade."


Patricia Porto

Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos

Livro: Diário de Viagem para Espantalhos e Andarilhos
Patricia Porto

Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Sobre Pétalas e Preces
Livro: Sobre Pétalas e Preces

Livro: Narrativas Memorialísticas: Por uma Arte docente na Escolarização da Literatura.

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Editora CRV; link: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3111

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