sábado, 11 de setembro de 2010

Um SOLO e um Naufrágio




Imagem: Jan Saudek, Hungry for your touch, 1971


camadas são para se retirar
de nossos corpos frágeis.
e para enterrar os nossos aspectos
mais sombrios –  ah, um solo de ...
para os girassóis que murcham com nossas
esperanças ou idiossincrasias.

Um solo para esconder esses ossos
que feito cachorros velhos tontos,
correndo do próprio rabo
tentamos ocultar em terra firme
- o amor pinçado,

só eu e você...
nesse solo para o nosso sol puindo...
caindo...

E o big bang.

o bang bang.

o big end.

Solo para esses dedos de separação.

e par o rastro de papel
atrás da vida
atrás do vasto querer mais
a outra história:
aquela de desarmar bombas.

falta do que esperar?
coma a utopia.
coma que é macia...

um solo!
um naufrágio!

Não, não nos queremos salvos.
Por favor, desliguem os celulares,
desa frouxem os cintos.
Desintegrem nossos ódios,
esse vulcão adormecido de covardias

e abram, enfim, essas cortinas!

Patrícia Porto