sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sobre abismos.

Imagem: Ansel Adams.

Acesos estavam os olhos dos amantes
e novos sentidos íntimos apareciam do caos ao cais,
feito um farol varrendo o tempo
a assinalar mensagens de uma felicidade em transe.
Trânsito de seus corpos clandestinos – em margens,
consentidos – em rochas,
em faces – relógios,
em marchas – os navegantes,
com lâmpadas – ciganos,
entre segredos – e açoites,
a atravessar
máscaras – e montanhas.
Duas correntes de mares que se cruzam:
numa incerteza destrutivamente bela.
Tanta força revés,
tanto dano e daninha pra morrer sozinho, sozinha
na praia...
No calor da última hora?

Patricia Porto