quarta-feira, 5 de maio de 2010

A ostra e o umbigo.


Imagem: Haruo Ohara


(Para minha mãe que nunca foi perfeita e porque nunca foi perfeita me ensinou que somos todos falíveis, que aprendemos a amar na tentativa e que a confiança é uma conquista diária, é um trabalho. Mãe, você é a minha ostra - o fechado, inalcançável e é o meu umbigo voltado para o mundo.)



Minha mãe, o umbigo do tempo
Um bosque de árvores úmidas de encantos
Entre precipícios e âncoras cordas e assobios

Cordão ancorado em sonhos e nebulosas
Nuvens e luas de não-dormir
de descansar na fresta do tempo: uma porta

Cansar a espera
Umbilicalmente
Preso
Solto
O Umbiliverso
Ao Ver só
Do filho
                       O único
                                      tem po tem po
                                               o tem po da ostra:
                                                     mãe-tempo

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Patricia Porto