quinta-feira, 15 de abril de 2010

Rosas


Rosas

São elas sim as últimas e verdadeiras,
as que encobrirão os nossos rostos,
os nossos corpos.
Entre elas nossa mortalha,
nosso manto,
um sudário de lembranças...
Quando não nos restar palavras enfim
nem duras nem doces...
Quando não nos restar olhares -
outras formas de dizer “te amo”,
quando nossas mãos estiverem postas,
mortas,
atravessadas em nossos peitos,
elas dirão por nós
linguagens inexpressíveis.
Elas exalarão odores que somente
a vida pôde com frescor exalar.
Quando não nos restar os braços para os abraços
elas serão levadas aos túmulos
e nos abraçarão aos nossos amados.
Quando toda terra estiver soterrando nossas esperanças
elas acolherão as nossas tristezas.
Quando o último de nossos melhores amigos
não puder presenciar a nossa ida e ausência,
elas nascerão pelos campos,
semeadas ao sabor de um tempo sem previsão.
Elas delicadamente testemunharão que um dia
eu, você, todos nós
estivemos aqui.



Patrícia Porto

Porque do fim do poço se pode ver
no fim de tudo
no fim do túnel
o invento da luz.