sexta-feira, 30 de abril de 2010

A Mãe

Imagem: Sebastião Salgado


Mãe,
Mainha,
Minha mãe,
a que acendeu um anjo
na primeira profecia
divinatória.


O ventre da mãe.
A mãe de calos na mão,
A mãe do povo,
A mãe do filho,
A mãe operária,

Os olhos da mãe:
dois holofotes de luz.
Onde estiver eu estarei.


Os pés da mãe,
Os pés na terra,
Os pés de Gaya,
Os pés tão cansados da mãe.


Ela busca a água no poço
e o poço é sempre fundo,
ela mergulha em promessas
seus seios, suas vísceras.
E desce ao Hades
e faz pactos sinistros
com as forças da natureza.


O amor tão extremado
que acolhe e estraga
é da própria natureza.


A mãe, a água, a lagoa,
o mar infinito,
o pó da terra,
o ar e o vento e a tempestade,
o fogo do primeiro alimento
do primeiro homem a vagar sobre a terra.


Diante da caça e do predador,
diante da ameaça de perda ou morte:
Mãe, olhai por mim,
não me deixe só.

E a mãe faminta da vida dos seus
alimenta de esperança e espera
tudo o que lhes for de sorte e amor.




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Patrícia Porto