sábado, 11 de abril de 2009

Um trem para os sonhos.


Ainda ouço minha mãe gritando: _Vai perder o trem!
E o trem levava para a escola técnica,
no tempo que eu queria ser homem.
Maldita sina: nascer mulher! Eu praguejava.

O trem saía de Alcântara
para um lugar nenhum dentro de mim.
O trem de Alcântara,
a explosão de Alcântara,
Eu queria ser engenheira.
Engenheira? (Tem feminino?)
E um dia Alcântara explodiu,
ficou pequena para os meus olhos,
eu queria conhecer Londres,
a terra de Shakespeare,
mas o trem de Alcântara não
parava nas estações dos sonhos.
Ele seguia para um destino que não era o meu.

Acorda, vai perder o trem!
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