sábado, 19 de dezembro de 2009

Oráculos, mandingas e 2012: Cop neles!




                   Oráculos, mandingas e 2012: Cop neles!


                   Até uma criança de três ou quatro anos de idade sabe descrever o que acontecerá com o planeta se não cuidarmos dele. Imagino então que alguns representantes políticos, principalmente os dos países ricos, deveriam voltar para o útero de suas digníssimas mães ou para o ventre da mãe natureza, engolidos feito um Jonas para as profundezas dos oceanos com direito a tsunamis ininterruptos. Mas do jeito que anda a matança de baleias e o descaso com os que vestem a camisa, não poderemos garantir que eles não sejam, de fato e justiça, engolidos e devorados por tubarões, tamanha a desgraça feita na cadeia alimentar. Por falar em cadeia alimentar, acredito mesmo que antes de um encontro desses, de caráter global e plural, deveriam pensar a priori numa espécie de mini-curso sobre aquelas noções básicas aprendidas na escola: clima, poluição, efeito estufa, desequilíbrio ambiental etc. Mas parece mesmo que a única cadeia alimentar que os poderosos conhecem é a da roda financeira, aquela já tão conhecida por nós aqui na Terra Brasilis. Aquela que dá o poder a quem está em cima, no topo, de comer, devorar quem está embaixo. E penso que nós, brasileiros, sul-americanos, latino-americanos, conhecemos tanto sobre o tema “canibalismos explícitos” que, somos deveras e sobra, especializados no assunto MIB ou Mif ou IMF, homens de preto e pasta – ou sem pasta... Fica aqui então colocada a sugestão de que antes da próxima Cop e antes que o mundo acabe, digo - o ano acabe, nós, brasileiros, que somos tão bons de bola e copa, poderíamos ser convocados para a criação de um mini-curso intensivo sobre “pimenta nos olhos do outro é refresco”, nós e outros povos poderíamos ser de grande ajuda nesse curso que seria ministrado para a comitiva do chefe maior da cadeia alimentar terrestre.
                 Mudando de clima e assunto, e o Nobelis - para quem vai? E o Oscarelis - para quem vai? Quando se é uma criança suburbana no Brasil, a festa do Oscar parece mais “o céu não tem limites”, tempos depois se passa subversivamente entender que aquela academia de ginástica fica entre o barro e o tijolo para poder vender mais barro e tijolo. Bem, só que se permitirem ao suburbano subversivo a tão sonhada entrada na universidade pop, ele também vai começar a entender que todo o resto funciona mais ou menos parecido ao barro e tijolo do Oscar – confuso, né? Isso para ficarmos aqui nas entrelinhas sem o devido direito de expressão. Afinal, filhos que somos do Brasil e da dita-dura, nós sabemos que aqui vale mais dinheiro na meia e na cueca suja que palavras subversivas que podem ser mal interpretadas e, pasmem, censuradas. Mas antes tinha o tal Drops – de menta e anis, nós sabíamos quem eram os caras maus, os do outro lado da força. Agora não. Aqui você pode até ser processado por não querer ser devorado sem maionese ou por mandar uma mensagem indevida para um chefe superior da cadeia alimentar que, pasmem de novo ou tenham espasmos, pode até mesmo devorar os seus sonhos e suas perspectivas futuras. Por isso, “sobre a questão do clima” ou sobre não-mudanças climáticas não vejo professores melhores que nós. A Amazônia é, sem dúvida, o nosso melhor MBA. Sobre Chico Mendes seria a nossa primeira aula. E a segunda seria sobre a irmã Dorothy, sentenciada à morte em cadeia nacional. Sobre Cristovam Buarque seria a nossa terceira aula, sobre aqueles 2,5% daquela eleição perdida e, óbvio, para completar o pacote não poderíamos deixar de fora nossa maior representação “viva” de luta pelo fim do desmatamento, sobre Marina Silva seria a nossa última e extensa aula. No quinto dia do mini-curso faríamos uma culminância ecumênica, cacofonia e paz para relaxar um pouquinho: com reza e água benta, pajelança (só nossa,  afinal do outro lado eles foram os primeiros extintos pelo uso da força da cadeia alimentar) e também muita arruda pra não receber encosto e um despacho completo a fim de expurgar, exorcizar os maus espíritos que ficam secando e vampirizando a Cop. Nesse dia ensinaríamos também a eles o que é o valor da fé e da esperança se “puxam o seu tapete” e “debocham da sua cara” quando tudo acaba em pizza e panetone, essa combinação esdrúxula.
             E sobre o papel do Senado, como experts no assunto, o povo de lá aprenderia muito conosco. Alguns dos nossos senadores são a prova convicta que crime compensa sim, que verde é a alface e que se plantando tudo dá, que pensar em clima é coisa de “porra loca” e maconheiro e que é melhor uma arma na mão que dois pássaros voando. Melhor mesmo é que os pássaros, os elefantes e os ursos, que não servem para nada além de enfeitar o mundo, estejam mesmo abatidos, como abatidas estão as nossas faces diante desse vergonhoso descaso de dimensão internacional. E para terminar, já que estaríamos perto do Natal deveríamos, ao fim do curso, entregar aos formandos, uma cesta básica com panetone, é claro, e um exemplar de Cachorros de Palha, prata da casa deles, perfeito como livro de cabeceira para daqui a 2010 ou 2012, como querem os oráculos e as profecias. 2009 terminaria assim: com palavras aos ventos e Katrinas, palavras de gente negativa que só pensa no pior, em catástrofes inevitáveis, essa gente maluca que não tem o que fazer além de defender o mundo de sua iminente destruição.



Patrícia Porto