domingo, 11 de novembro de 2007

A casa de asas


Se a janela estivesse aberta
um anjo entraria
varrendo os cantos da vida
soprando de leve as vestes brancas
atrás do pó de esquecimentos

Entre tantos entretantos
A janela fechada esteve
Antes do fim

Cadeados nas frestas
no chão, no teto, nas paredes
no coração

O homem esqueceu que a liberdade
é um tempo depois ou antes do beijo
e do afago na testa
que a liberdade é antes do agir a vontade
que a liberdade está entre a flor e a prece:
é pétala

Não, não se apresse tanto a fechar
Portas e janelas
Os pássaros têm tempos maiores
a descortinar

No entanto
Entre tantos
e cantos mudos
o anjo voou
Sem conhecer por dentro
sua alma