quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Amargor (Dedicado às mulheres que sofreram por tanto amar)


Se fosse Kahlo pintaria a dor e as causas
em cores berrantes, pintaria um grito, algumas raivas,
a vontade de dizer sim e não a vossa vontade.
Não seja feita a vossa vontade!
Que seja feita a nossa vontade!
Mas Kahlo. Kalhei.
Então escrevi uns poemas, escrevi uns gritos,
uma minha vontade qualquer de perdão,
a desistência infinda de perdão, uma loucura, a amar-gura, um exorcismo...
Escrevi um aborto,
rasgando o útero,
tirando vossa última passagem
por minha memória genuína
com dor e candura,
Amargor.
Sou Frida
so-Frida...