segunda-feira, 28 de maio de 2007

Partilhas?


“(...) O olhar de Gregor dirigiu-se então para janela e o tempo turvo - ouviam-se gostas de chuva batendo no zinco do para-peito - deixou-o inteiramente melancólico” (p.8)

“(...) Certa vez, de manhã cedo - uma chuva violenta batia nas vidraças...”. (p.68)

Kafka



Partiu com sua farsa trágica
Partiu sem dizer quantas voltas daria ao mundo
e não voltou.
Partiu com as minhas lágrimas, as embutidas,
e indiferente ficou ao ritual que menos fere.
Eu que já amo o mundo de forma tão doída.
Pra quê?
Pássaros podem até sentir,
mas têm coração?
Ou eles só sabem da pretensão de chegar?
Observo sua história,
mas pássaros não têm história. Têm?
Não, são como anjos.
O mundo em preto e branco.
Sigo lúcida estradas de volta
improvisando sentidos para não lamentar,
farejando memórias tumultuadas, deixadas
acolá e aqui,
feito indícios de um mal que me lembro pouco.
Mau tempo.
Mau uso da natureza. A humana.
Oh, passarinho sem coração.